sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Genesis- Teologando
O Livro de Gênesis
ON 7 AGOSTO , 2009 / POR MARCELO
BERTI
Título do Livro
O título “Gênesis”, que significa
literalmente “começo” e vem da
palavra grega “γενέσις[1]”. Esse
título foi dado ao livro pela
tradução grega do Velho
Testamento, chamada
Septuaginta[2]. O título hebraico
para esse livro é retirado das
primeiras palavras do livro:
“b rēshith” e significa “no
princípio”. Esse título é
certamente apropriado, pois
além de demonstrar o princípio
do universo, do homem e do
povo de Deus, Gênesis também
“prepara o terreno para a plena
compreensão da fé bíblica[3]”.
O Autor do Livro[4]
Enquanto nenhuma declaração é
dada sobre quem teria escrito
esse livro, a tradição sempre tem
dito que o autor desse livro é
Moisés. Evidências para isso tem-se encontrado:
(1) No Novo Testamento
normalmente atribui Gênesis a
Moisés: indicação desse fato é
que em Jo.7.23 Jesus afirma que
a circuncisão, que é apresentada
em Gn.17.12, faz parte da Lei de
Moisés. Mais comum ainda no
NT é a declaração do Pentateuco
como livro de Moisés
1. Evangelhos: Mt.8.5; 19.19.4-8; Mc.1.44; 7.10; 12.19, 26;
Lc.2.22; 5,14; 20.37; Jo.1.17,
45; 7.19, 22-24; 8.5;
2. Atos: At.3.22; 7.44; 13.39;
15.5; 28.23;
3. Paulo: Rm.10.5; 10.19;
1Co.9.9;
4. Autor de Hebreus: Hb.9.19;
10.28.
(2) No Antigo Testamento
também parece atribuir a autoria
do Pentateuco (Tora) a Moisés:
1. Livros Históricos: Js.1.7-8;
8.31-32; 1Re.2.3; 2Re.14.6;
21.8; Ed.6.18; Ne.13.1;
2. Profetas: Dn.9.11-13; Ml.4.4.
3. O próprio Pentateuco aponta
para esse fato: Ex.17.14;
24.4-8; 34.27; Nm.33.1-2;
Dt.31.9, 22.
(3) Além disso, o autor do
Pentateuco demonstra conhecer
detalhes tão particulares da
história que só uma testemunha
ocular poderia saber:
1. Quantidades específicas de
fontes e árvores (Ex.15.27)
2. Detalhes específicos do povo
em ocasiões específicas
(Nm.2.1-31)
3. Detalhes da alimentação
(Nm.11.7-8)
(4) O conhecimento que o autor
do Pentateuco apresenta sugere
ele não poderia ser alguém de
séculos mais tarde[5]:
1. Conhecimento da Geografia
(Gn.13.10; Gn.33.17)
2. Conhecimento de costumes
específicos (Gn.16.1-3;
Gn.41.41-43)
3. Moisés era alguém
habilitado para ter essas
informações (At.7.22)
Se alguém duvidar da autoria
Mosaica do Pentateuco ou de
Gênesis, deve atribuir também
ou falsidade ou erro, tanto dos
textos do Velho, como do Novo
Testamento. Em outras palavras,
os profetas, escritores, apóstolos
e o próprio Jesus Cristo deveriam
ser considerados ou falsos ou
equivocados. Portanto, “a autoria
de Gênesis é atribuída a Moisés,
mais provavelmente durante a
jornada do Egito para Canaã, com
o uso de fontes que tivesse à
disposição, quer orais quer
escritas, debaixo do ministério
orientador do Espírito de
Deus[6]”.
Estrutura e Conteúdo do
Livro
Uma das características
marcantes do livro é a forma
como esse livro foi estruturado.
Do ponto de vista da história,
duas categorias são claramente
reconhecidas na estrutura do
livro: (1) Nos capítulos de 1.1-11.26 encontramos a história das
origens de modo geral e (2) de
11.27-50.26 lemos a história da
origem do povo judeu – a história
dos patriarcas. Sobre essa
estrutura John Hartley diz:
“Gênesis 1-11 é um prefácio à
história da salvação, tratando da
origem do mundo, da humanidade
e do pecado. Gênesis 12-50
reconta as origens da história da
redenção no ato de Deus escolher
os patriarcas, juntamente com as
promessas da terra, posteridade e
aliança[7]”.
Contudo, Moisés como hábil
escritor também deixou uma
clara estrutura literária para seu
primeiro livro: com o uso de uma
palavra específica, Moisés pode
marcar dez blocos de texto onde
agrupou o conteúdo do seu livro.
Essa palavra hebraica é “tôl dôt”,
que significa gerações,
genealogia. Em “cada uma dessas
seções [Moisés] relata o que
aconteceu com à(s) pessoa(s)
mencionada(s), ou seus
descendente[8]”.
Normalmente essa palavra é
acompanhada de uma
genealogia, conquanto também
possa apresentar o
desenvolvimento de algo que já
foi iniciado. Esse é o caso de
Gn.2.4: “Esta é a história das
origens dos céus e da terra, no
tempo em que foram criados:
Quando o SENHOR Deus fez a
terra e os céus”. Nessa ocasião
Moisés faz um uso metafórico da
palavra “tôl dôt” para expressar
que os céus foram gerados
(criados) pelo Próprio Deus.
É interessante observar que a
estrutura história e a estrutura
literária foram de tal forma
ajustadas que para a primeira
parte (a história primeva) Moisés
usou cinco “tôl dôt”, enquanto
que para a segunda parte
(história patriarcal) ele o fez
mais cinco vezes[9]. Seguindo
essa sugestão, podemos observar
a estrutura do livro da seguinte
forma:
I. HISTÓRIA PRIMEVA
(Gn.1.1-11.26)
II.HISTÓRIA DOS
PATRIARCAS
(Gn.11.27-50.26)
É importante lembrar que um
dos recursos literários que
Moisés usa na composição de
Gênesis é apresentar em
primeiro lugar um conjunto de
informações sobre personagens
que terão sua história
continuada no seu relato. Por
exemplo, “a genealogia de Caim
(4.17-24) precede a de Sete
(4.25,26); as linhagens de Jafé e
Cão (10.1-8) aparecem antes de
Sem (10.21,22); a genealogia de
Ismael (25.12-15) antecede a de
Isaque (25.19) e a de Esaú (36.1-10) precede a de Jacó (37.2)[10]”.
Propósito
“O propósito do primeiro livro do
Pentateuco é fornecer um breve
sumário da história da revelação,
desde o princípio até que os
israelitas foram levados para o
Egito e estavam a ponto de se
tornarem em nação
teocrática[11]”. De forma prática,
Gênesis parece demonstrar, do
início ao fim, quem é o Deus que
chamou a Moisés para liderar o
Povo.
É nesse texto que Moisés registra
YAHWEH como o Deus que é
poderoso para Criar, Julgar e
Punir, Retribuir, Chamar,
Restaurar e Salvar Seu povo.
Gênesis é um relato da
Personalidade e Caráter de
YAHWEH como Deus Poderoso,
Cuidadoso, Amoroso e Soberano.
De forma anacrônica Moisés
parece deixar a Soberania de
Deus estampada nas páginas de
Gênesis, de modo que, na
primeira parte de seu livro ele
demonstra quão longe o homem
por suas forças pode ir, enquanto
que na segunda parte ele
demonstra quanto Deus faz para
resgatá-los. Assim, estamos
falando que, após a Criação, nos
primeiro 11 capítulos de Gênesis
nós vemos a degradação do ser
humano: Na Queda vemos a
soberania de Deus e a sentença
de todo ser humano; No Dilúvio a
justa retribuição história de
Deus; e em Babel vemos a
soberania de Deus na
distribuição.
Até que, em Abraão o processo
de regeneração inicia e parece
reverter a cena: Em Abraão
vemos a soberania de Deus na
Eleição; Em Isaque a soberania
de Deus na Separação; Em Jacó a
soberania de Deus é percebida
no cuidado; e em José vemos a
soberania de Deus no controle da
situação.
É como se o livro tivesse sido
escrito para apresentar o caráter
de Deus como chefe da Teocracia
que Ele irá formar a partir de um
povo exilado no Egito, retirando-os soberanamente do domínio
egípcio. É óbvio que Moisés faz
isso, enquanto registra os
acontecimentos do seu povo.
Mensagem
Poucas pessoas foram capazes de
resumir a mensagem de um livro
tão grande em tão poucas
palavras de modo tão
impressionante: Carlos Osvaldo
tem sintetizado a mensagem do
livro da seguinte maneira:
Teologia de Gênesis
Como temos dito que esse livro é
uma Auto-Revelação de Deus
para o povo de Israel, não
poderíamos deixar de falar de
Sua Pessoa como apresentada
por ele. Sobre isso, House diz:
Deus é Criador:
Em Gênesis não difícil falar em
um Deus Criador: “No princípio
criou Deus os céus e a terra”. O
relato da criação em Gênesis é
realizado em duas etapas para
ressaltar a Pessoa do Criador:
Enquanto o primeiro relato
aponta para um fato (há um
Criador de todas as coisas) o
segundo relato mais específico
sobre a criação do homem
apresenta o Criador como zeloso,
atencioso e relacional. Essa
descrição de Deus é certamente
uma demonstração do Seu poder
e de Seu cuidado graciosos.
Entretanto, é válido dizer que a
descrição da criação demonstra a
ordem e a dignidade dela.
“Enquanto outras histórias da
criação tendem a tratar a raça
humana como fonte de irritação
para o panteão e o mundo criado
como alo que os deuses não
pensaram inicialmente, Gênesis
1.1-2.3 apresenta a ordem criada
como resultado da atividade
intencional da parte do Deus
único[14]”.
A unicidade de Deus nos
primeiros versos de Gênesis
também são também uma
descrição de contraste entre
YAHWEH, o verdadeiro Deus e os
deuses pagãos. Até por que, a
descrição de Deus como Criador
auto-existente, solitário e auto-suficiente difere gritantemente
de outros relatos antigos da
criação. Falando sobre a
multiplicidade de deuses do
paganismo, LaSor, Hubbard e
Bush afirmam que “para eles a
variedade de forças personificava-se em deuses. Assim, uma
divindade era multipessoal, em
geral ordenada e equilibrada, mas
às vezes caprichosa, instável e
temerária. O texto de Gênesis 1
combate tal concepcção de
divindade. Ela retrata a natureza
surgindo de uma simples ordem
de Deus, o que é anterior a ela e
dela independente[15]”.
Outro detalhe sobre a
Singularidade de Deus como
Criador é estampado no uso do
termo hebraico bärä’, que
descreve sua ação como trazendo
a criação do nada (ex nihilo[16]).
Em Gn.1.1 não há qualquer
indicação de matéria pré-existente que Deus teria
formado, antes “afirma que Deus
criou, (bärä’) sem nenhum
esforço, todo o universo e tudo o
que nele há[17]”. Assim, “o termo
hebraico bärä’, ‘criar’, é uma
palavra chave, sendo empregada
seis ou sete vezes no relato da
criação. Essa palavra tem Deus
como seu único sujeito no Antigo
Testamento, e não se fez nenhuma
menção do material a partir do
qual se cria algum objeto. Ela
descreve um modo de agir que
não possui analogia humana. Só
Deus cria, assim como só Deus
salva[18]”
Deus é Soberano:
Sidlow Baxter quando comenta
sobre Gênesis diz: “Pelo fato de
ter sido colocado logo no início
dos 66 livros, Gênesis nos faz
dobrar os joelhos em obediência
reverente diante de Deus, por
exibir perante os nossos olhos, e
trovejar em nossos ouvidos,
aquela verdade que deve ser
aprendida antes de todas as
outras em nosso trato com Deus,
em nossa interpretação da
história e em nosso estudo da
revelação divina, a saber A
SOBERANIA DIVINA[19]”.
A soberania de Deus é observada
em quase todos os eventos
apresentados nesse livro: Ele é o
Criador Soberano, o Juiz
soberano sobre o pecado do
homem, na punição de Caim, no
Dilúvio, em Babel. Ele é o
Soberano na separação e eleição
de Abraão como herdeiro das
promessas. Não havia qualquer
característica em Abraão digna
da atenção de Deus, mas em Sua
Soberania Deus o separa para
dele fazer uma grande nação. “O
Senhor escolhe a Abrão da mesma
maneira como decide criar os
céus e a terra, ou seja, a partir da
liberdade absoluta resultante de
ele ser o Deus único, todo-suficiente e independente[20]”.
Toda a história dos patriarcas é
uma demonstração da Soberania
de Deus: Abraão é eleito
soberanamente por Deus; Isaque
é mantido soberanamente por
Deus; Jacó[21], o mais relutante
de todos, demonstra a Soberania
de Deus na Preservação de sua
Promessa feita a Abraão e em
José podemos observar a
Soberania de Deus no controle
das situações para formar um
povo Seu em meio a um tempo
de crise.
Até mesmo na tensão entre a
Soberana Vontade de Deus e da
vontade rebelde de suas
criaturas, “o que o homem
pecador tenciona para o mal,
YAHWEH é mais do que capaz de
suplantar para Seus propósitos de
bênção e bem estar para o povo
de Sua aliança[22]”. A soberania
de Deus é capaz de convergir a
maldade do homem para
bênçãos para os Seus: Esse
retrato é vívido em Gênesis.
Deus é Justo:
No trato com a humanidade
desde a Criação, Deus demonstra
sua habilidade para exercer sua
Justiça. Na retribuição justa de
Gn.3 vemos que Deus é severo no
trato com o pecado e na
imposição das punições para
cada um dos participantes da
rebelião contra Ele no Éden.
Entretanto, é importante lembrar
que “quando Sua bondade
original foi desprezada no jardim
do Éden em troca da
independência que as criaturas
queriam Dele, foi Deus quem
tomou a iniciativa de buscar o
homem (3.8, 9), de prometer a
vitória definitiva sobre a serpente
pela semente da mulher (3.15) e
remediar a nudez e a vergonha do
primeiro casal[23]”. No exercício
de sua Justa punição, Deus não
deixou de manifestar sua Graça
Salvadora: O maior prejudicado
na queda foi o próprio Deus, pois
Ele mesmo assume as piores
conseqüências da Queda e doa-se
em amor ao mundo.
Da mesma forma o dilúvio revela
Sua Justa retribuição à intenção
do homem em contraposição à
Lei Divina. Em sua Justa
Soberania, Deus estabelece o
juízo da rebeldia dos homens e
os sentencia à morte no Dilúvio.
Entretanto, temos que lembrar
que Ele mesmo ofereceu 120
anos para o arrependimento dos
seres humanos em demonstração
de que age com paciência. Isso
sem contar que Deus havia
deixado um modo para que os
homens pudessem ser libertos
dessa punição, pela fé na
instrução que havia dado a Noé
(Hb.11.7). Assim, tanto a
Paciência quanto Graça são
observadas no exercício da
Justiça de Deus[24].
Deve ser por isso que Ralph
Smith diz: “Três coisas são
essenciais a um bom juiz:
autoridade e soberania; decisões
justas e imparciais; e a
capacidade de perceber e
interpretar corretamente todas as
evidências. Javé tem as três
qualidades[25]”. Por isso, “a
justiça de YAHWEH reflete-se não
tanto em declarações sobre Seu
caráter quanto nos meios simples
e diretos pelos quais Ele julga a
falta de conformidade do homem
com o padrão de conduta
prescrito pelo Criador[26]”.
Deus é Gracioso:
“Pelo contrário, ele opera
exclusivamente em benefício do
mundo que não tem intenção
alguma de fazer o que é certo.
Neste caso a eleição demonstra a
misericordiosa bondade de Deus
com o mundo[27]”.
Por que Deus não opera sua
disciplina para com Jacó, que
demonstra em sua história não
manter uma padrão de conduta
em nada parecido com o do seu
pai? “O fato mais consolador é
que Deus não mudou seu
propósito, promessa ou poder. O
caráter divino continua intacto,
acentuando a sensação que o
leitor tem de respeito e
expectativa diante do futuro[28]”.
“A graça divina seleciona este
homem [Jacó] terrivelmente
imperfeito, não por causa de
mérito algum de sua parte. O
amor determina a decisão, e esse
amor é tão grande por Jacó
quanto é por Abraão e Isaque,
pois as promessas divinas feitas
anteriormente permanecem de
pé[29]”.
“A graça intensifica-se quando o
pacto de YAHWEH com a
humanidade se focaliza em
Abraão e sua linhagem: Ló é
preservado pela graça (19.1-31),
Isaque é poupado pela graça
(cap.22), Jacó é escolhido por
graça (25.19-23; cf. Rm.9.11, 12),
assim como toda a família
patriarcal é libertada da
corrupção e miscigenação em
Canaã pela provisão graciosa que
YAHWEH lhes faz de José como
vice-regente do Egito (caps.37-50)[30]”
Deus é Único:
Em oposição ao conceito do
Oriente Médio Antigo, Gênesis
apresenta um Deus que é Único,
“nenhuma outra divindade
questiona o direito divino de
criar; nenhuma outra divindade
ajuda Deus a criar nem se opõe à
sua atividade criadora. Desde o
princípio, ou desde a origem do
tempo e da história, só Deus
existe ou age[31]”.
“A idéia da unicidade de Deus no
Antigo Testamento é singular e
significativa. Enquanto outros
povos antigos achacam que seus
deuses eram muitos, cada um
tendo sua própria esfera de
influência e responsabilidade, o
Israel antigo entendia que seu
Deus era um (indivisivo), como
todos os atributos e poderes da
divindade em si mesmo,
governando todas as esferas da
existência[32]”
“A singularidade de YAHWEH
aparece em cores ainda mais
brilhantes no fato de que Ele é um
Deus que, apesar de
transcendente e todo-poderoso,
busca um relacionamento com
Suas criaturas e a elas Se revela.
Ele estabelece alianças (cf. 9.8-17;
15.9-21; 17.1-27) e garante seu
cumprimento ao prover e
proteger milagrosamente a
semente que havia prometido
(18.13-15; 22.15-18; 25.21)[33]”
[1] O termo grego “γενέσις” pode
também indicar vir a existir
(Gn.40.20), nascimento(Mt.1.18),
existência (Tg.1.23), vida e
experiência humana (Tg.3.6),
história de vida (Gn.2.3; 5.1 –história da origem), linhagem,
descendência (Mt.1.18).
[2] A Septuaginta é também
apresentada como LXX, em
função de ser essa a
representação gráfica de 70 em
algarismos romanos.
[3] LASOR, Willian, HUBBARD,
David, BUSH, Frederic,
Introdução ao Antigo Testamento.
pp.16.
[4] A autoria do livro de Gênesis
e de todo o Pentateuco tem sido
largamente discutida. Jean
Astruc (sec. 18) chegou a apontar
para duas formas documentais
que poderiam ter resultado na
produção do texto que dispomos.
Ele denominou as fontes como J
(Javista) e E (Elohista) em função
do uso de palavras para se
referir a Deus. K.H. Graf, em uma
adaptação ampliada da teoria de
Astruc, propôs uma Teoria
Documental em 1866 que além
de J e E, identificou as fonte D
(Deuteronomista) e P (Sacerdotal
– proveniente do alemão
priesterlich). Entretanto, essa
teoria só tornou-se popular
quando Wellhausen em 1876
combinou a “teoria documentária
com uma visão evolucionista da
religião de Israel”. (COP, FDAT,
pp21-22). Reações a essa
proposição de Wellhausen foram
feitas por liberais e
conservadores e aos poucos sua
teoria tornou-se menos influente
no mundo acadêmico. O leitor
fará bem se ler sobre o assunto o
artigo Autoria do Pentateuco no
livro “Merece confiança o Antigo
Testamento” onde o autor trata
com detalhes da refutação da
teoria (pp.113-118).
[5] Wellhausen teria proposto
que o Pentateuco como um todo
seria fruto do período do exílio
ou pós-exílico (Introdução ao AT,
pp.7). Entretanto, uma vez que os
livros exílicos e pós-exílicos
citam o Pentateuco, com
indicações da autoria Mosaica, a
teoria de Wellhausen fica em
descrédito. Ou seja, para que sua
teoria tenha validade o Velho
Testamento precisa ser
reestruturado, passo que os
liberais já deram a muito tempo.
[6] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco e
Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.23.
[7] LASOR, Willian, HUBBARD,
David, BUSH, Frederic,
Introdução ao Antigo Testamento.
pp.16-17.
[8] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco e
Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.23.
[9] É válido demosntra que em
Gênesis Moisés usa “tôl dôt” 13x
(Gn.2.4; 5.1; 6.9; 10.1, 32; 11.10,
27; 25.12, 13, 19; 36.1; 36.9; 37.2).
O agrupamento estrutural desses
usos tem sido diferentes em
diferentes autores. (cf. YOUNG,
Edward, Introdução ao Antigo
Testamento. pp.54-68; ARHCER,
Gleason, Merece Confiança o
Antigo Testamento, pp.200)
[10] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco
e Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.23.
[11] YOUNG, Edward, Introdução
ao Antigo Testamento. pp.53.
[12] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco
e Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.24.
[13] HOUSE, Paul, Teologia do
Antigo Testamento. pp.107.
[14] HOUSE, Paul, Teologia do
Antigo Testamento. pp.76.
[15] LASOR, Willian, HUBBARD,
David, BUSH, Frederic,
Introdução ao Antigo Testamento.
pp.24
[16] A expressão latina ex nihilo
encontrada em alguns materiais
teológicos sobre a Criação é
provavelmente proveniente da
Vulgata. Em 2Mc.7.28 lemos:
“peto nate aspicias in caelum et
terram et ad omnia quae in eis
sunt et intellegas quia ex nihilo
fecit illa Deus et hominum
genus” (Eu te suplico, meu filho,
contempla o céu e a terra e
observa o que nele existe.
Reconhece que não foi de coisas
existentes que Deus os fez, e
que também o gênero humano
surgiu da mesma forma. – BJ).
Sobre o uso de bärä’ considere
alguns usos que descrevem o
início de algo novo (cf. Is.41.20;
48.6, 7; 65.17) como um paralelo
do conceito criativo ex nihilo.
Lembre-se também dos usos que
descrevem o sentido de trazer à
existência (Is.43.1; Ez.21.30;
28.13, 15) como exemplificação
da origem ex nihilo de uma ação
divina.
[17] SMITH, Ralph, Teologia do
Antigo Testamento. pp.172.
[18] LASOR, Willian, HUBBARD,
David, BUSH, Frederic,
Introdução ao Antigo Testamento.
pp.24.
[19] BAXTER, Sidlow, Examinais
as Escrituras. Vol.I, pp29.
[20] HOUSE, Paul, Teologia do
Antigo Testamento. pp.92.
[21] “Pouquíssimos textos do AT
ressaltam os conceitos bíblicos de
eleição e graça mais do que os
relatos que envolvem Jacó” –HOUSE, Paul, Teologia do Antigo
Testamento. pp.98
[22] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco
e Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.25
[23] Idem, IBID.
[24] MERRIL, Eugene, The
Pentateuch. IN: Holman Bible
Handbook
[25] SMITH, Ralph, Teologia do
Antigo Testamento. pp.206.
[26] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco
e Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.25.
[27] HOUSE, Paul, Teologia do
Antigo Testamento. pp.792.
[28] HOUSE, Paul, Teologia do
Antigo Testamento. pp.97.
[29] HOUSE, Paul, Teologia do
Antigo Testamento. pp.98.
[30] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco
e Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.26
[31] HOUSE, Paul, Teologia do
Antigo Testamento. pp.74.
[32] SMITH, Ralph, Teologia do
Antigo Testamento, pp.218-219.
[33] PINTO, Carlos Osvaldo, Foco
e Desenvolvimento do Antigo
Testamento. pp.26.
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